Posts Tagged ‘conto

20
jul
15

Meus contos na Amazon!

Com muito orgulho e, após muito tempo e dedicação, tenho alguns contos publicados na Amazon, para o concurso Brasil em Prosa (#brasilemprosa). Como diz o antigo ditado, a gente cria filho para o mundo. E é mais ou menos dessa forma que encaro meus trabalhos, como filhos que botei nesse mundo. Tenho grande carinho pelo que faço, pois, antes de fazer para as pessoas lerem, faço para mim.

Um imenso obrigado aos que baixarem ou divulgarem meu material. Abraços!

Eis os links para meus contos. Uma vez ao mês eles estarão a custo zero. Bora baixar?

http://www.amazon.com.br/O-%C3%BAltimo-tormento-Zacarias-Marcucci-ebook/dp/B011ZOM73C/ref=sr_1_10?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1437402327&sr=1-10

http://www.amazon.com.br/flecha-Conto-Luciano-Silva-ebook/dp/B0122DDIZQ/ref=sr_1_12?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1437402327&sr=1-12

http://www.amazon.com.br/Dirija-Luciano-Silva-ebook/dp/B011ZQGL3M/ref=sr_1_11?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1437402327&sr=1-11

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27
dez
13

Onde andará o Velho Nicolau

Uns o chamavam de Santa Claus, outros de Pai Natal, Papai Noel, São Nicolau. Enfim, uma lenda, dessas que viraram instituição humana. O que poucos sabiam era que havia mesmo um santo por aí, cuja função através das eras consistia em aliviar o sofrimento de famílias pobres, crianças e velhos. E o que menos gente ainda sabia era que ele tinha mesmo elfos ajudantes, ou algumas aberrações mais ou menos nesses moldes. Elfos, duendes, anões, cada povo, cada cultura os chamava de um nome. E foi no último Natal que o mais estranho fato aconteceu.

Nicolau não retornou da entrega dos pedidos feitos em oração. Isso jamais ocorrera antes, comentavam uns elfos tomando cerveja no fim do expediente.

E eu, que passava pela região numa viagem pessoal e introspectiva, estava no bar, no dia do ocorrido, e presenciei mais ou menos o diálogo que transcrevo o mais fielmente possível.

“Velho, tô te dizendo, nunca vi isso desse santo desaparecer assim”, soltou um elfo de gorro vermelho.

Suas funções eram facilmente identificadas pela cor dos seus gorros. Os verdes e os vermelhos eram operários que executavam tarefas em diversos níveis no extenso processo de fabricação de desejos. Elfos de gorro branco eram tidos como capatazes, gerentes de setor, líder de equipe, enfim, essa classe que não põe a mão na massa, mas que pratica “gestão” de pessoal. E, finalmente, elfos de gorro prateado que, embora em quantidades reduzidas, existiam e faziam parte do alto escalão, mas esses não iam a botecos, portanto são desconsiderados nessa história. Bem, lá estava o elfo vermelho, contando entre goles generosos, que jamais em seus 668 anos vira tão estranho acontecimento.

“Tô te falando”, disse ele.

“Deve ter se atrasado em algum ponto abaixo da linha do Equador”, respondeu o de gorro verde, “pois é de lá que vem a maioria das orações mais carentes, e você sabe que fazer tudo isso numa única noite não é fácil”.

“Mesmo ele voando?”, duvidou o vermelho, já irritado com as explicações esdrúxulas do colega de trabalho. Aquele sabichão o enervava.

“Mesmo”.

“Seu cusão, você não sabe merda nenhuma”, gritou o elfo vermelho, perdendo a postura.

“Qual é a tua, seu duende careca?”, incitou o outro, já antevendo uma briga.

“Você acha que sabe tudo, idiota”, grasnou o vermelho. “É nosso patrão, e ele nunca falha!”

“Vou te mostrar o que nunca falha, imbecil!”, reagiu o elfo verde, projetando um soco muito bem localizado nas fuças do vermelho e começando uma briga que se espalhou pelo bar. Uma batalha épica!

Garrafas daqui, socos dali, já passava das 5 da manhã do dia 26 de dezembro quando a cena ocorreu. Eu desfrutava sossegado minha lagger nun canto, enquanto aquelas criaturas se acabavam na pancadaria. Olhei por uma janela. A neve uniforme e intocada do lado de fora do bar, acompanhado da quietude na vila, dava a entender que nenhuma notícia nova havia sobre o bom velhinho. Todos alarmados, apesar de elfos de alto escalão não deixarem transparecer. Será que a vila deixaria de existir? Ou eles próprios não teriam mais utilidade para a época. Sem Nicolau na vila, sabiam os trabalhadores a respeito do próprio destino? E quanto ao da vila mágica?

Talvez fosse bom dizer que São Nicolau não viajava pelo mundo em um trenó, mas percorria todas as regiões, até as mais ermas, voando, no exato sentido do termo, como o Super-Homem. E, milagres divinos à parte, materializava os presentes do lado de dentro das casas. Isso poupava um bocado de tempo. Bicicletas, bonecas, material escolar, comida, roupas para pessoas pobres, tudo que uma criança carente pedira durante o ano, o velhinho materializava.

Talvez fosse bom dizer também que São Nicolau havia sido abatido, mas estava claro que os elfos não sabiam disso. Nem este narrador sabia, até ouvir relatos de um caso ocorrido no interior do Congo à época do desaparecimento. Segundo populares de um vilarejo, alguns caçadores de elefantes, essa classe de homens ricos que matam animais para se deleitar num esporte prepotente e desumano, haviam abatido uma ave mística ou coisa voadora muito grande, cujo rastro de luz foi visto no céu da madrugada. Não tinham como dizer, com certeza, do que se tratava, pois o bicho havia afundado no Rio Congo sem deixar sinal de sua passagem.

Talvez fosse bom dizer também que, segundo algumas crianças pobres da região, um espírito em forma de homem tinha visitado algumas vilas e cabanas à noite, onde sempre algum embrulho surgia dentro das casas. Geralmente São Nicolau deixava algo de que a família precisava, e as crianças pensavam ser ele um tipo de espírito bom.

Mas sem corpo não havia evidência, e a notícia soou um tanto sensacionalista nas notas dos jornais e caiu no descrédito, sem jamais chegar aos ouvidos dos elfos, se é que eles existiram por muito mais tempo depois daquela empolgante contenda de bar, da qual fui testemunha.

A verdade é que nunca mais encontrei aquela cidade.

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10
maio
12

Meu filho não serve para comandar

 Magnífica até na hora do parto, a senhora elfa da casta guerreira de Aedorath mantinha a compostura diante da dor e das contrações. Seu primeiro rebento estava prestes a nascer. Do lado de fora da antiga mansão na floresta profunda, cercada de árvores milenares, cujas histórias se confundem com a dos elfos, estava o pai, Lorde Aedor III, afundado em preocupações triviais concernentes a todo pai de primeira viagem. Horas se passaram até que se ouviu o feliz choro do bebê elfo, filho do mais nobre homem da casta guerreira.

Pouco depois, Aedor se impacientava na sala ao lado dos aposentos de sua senhora, mãe do pequeno Eydian. O nome tinha sido escolhido pelo pai, meses antes, para honrar o bisavô da criança, um grande combatente que perdeu a vida na defesa do território contra as hordas de goblins saqueadores. O velho Eydian caçava como nenhum elfo jamais caçou, e trazia cabeças e mais cabeças de goblins para serem queimadas numa enorme fogueira no centro da vila élfica.

Pode parecer estranho tal comportamento para os elfos, mas essa era uma variedade incomum de elfo que cultivava em seu interior o que chamavam de “honra da espada”. E muitos deles superavam os mais lendários guerreiros humanos em feitos e conquistas.

Mas o que dizer do pequeno Eydian? Quando seu pai o viu, pareceu morrer em decepção. Era uma criaturinha miúda, até mesmo para os padrões dos elfos, quase puro osso e pele, e tão leve quanto um filhote de cachorro. Mirrado.

Apesar de ver o que não queria, Lorde Aedor seguiu determinado a transformar o filho em um guerreiro para o substituir no comando da casta. Mas, à medida que crescia, o pequenino começava a se interessar por histórias de magos, contadas pelos velhos anciãos da vila, e achava que com a magia, poderia se tornar tão forte quanto os guerreiros, e dar orgulho ao seu poderoso pai.

Sua mãe, a senhora Enora, o tempo todo o vigiava, e o seguia para onde quer que fosse, nas brincadeiras, nos estudos e nos treinos de luta, de onde saía mais machucado do que proficiente.

Chamava a atenção dos demais o menino não se referir à senhora Enora como mãe, mas apenas como Enora, ou, em situações sociais, como senhora.

Ao passar pela adolescência, Eydian sentiu-se mais e mais humilhado e abandonado pelos cantos da mansão. Seu pai pouco dava atenção a ele e culpava a mãe pelo garoto nascer fraco e magro, exigindo que ela lhe desse um filho capaz de reinar em seu lugar. Isso significava que, apesar de Eydian ser o primogênito, seu pai provavelmente daria um jeito de tirar seu direito à senhor da casta de Aedorath para passá-lo a um segundo filho. Definitivamente não gostava do jovem elfo.

— Ele é incapaz de sustentar o próprio peso — dizia o pai, — quanto mais lutar em uma batalha ou comandar meus exércitos. Meu filho não serve para comandar.

A mãe ouvia calada, ora chorando, ora envolvendo o menino nos braços, como se o protegesse do próprio pai, ora tapando os ouvidos do pequeno para não magoá-lo. Mas o menino ouvia sempre.

Quando Lorde Aedor viu que não havia solução para o crescimento frágil do garoto, tomou uma decisão que a maioria dos guerreiros consideraria bastante sensata, mas que a senhora Enora chamou de monstruosidade. Mas ela nada soube até que tudo estivesse consumado.

Numa comitiva de mercadores, o Lorde enviou o garoto para a cidade dos homens, aos cuidados de um velho e poderoso mago, seu amigo de aventuras em outros tempos. Tudo havia sido planejado sem levantar qualquer suspeita. Os mercadores da comitiva foram comprados pelos seus preços, para ficarem calados e executarem o plano do senhor de Aedorah.

Numa tarde de outono as engrenagens da intolerância de um pai pelo seu filho foram postas em movimento. Derrubado por um encantamento, o jovem só foi acordar na cidade dos homens, nos aposentos frios de uma torre estranha, cercado de velhos livros e na companhia de um velho homem.

Nos primeiros dias, chorava e gritava que queria voltar, que queria fugir. Mas com o passar do tempo foi se acomodando à situação.

O humano de idade avançada, ostentava um vigor incomum para a idade e Eydian pensava que se fosse a metade do que aquele homem era, talvez seu pai não o banisse secretamente de sua terra natal. Sob a tutela desse misterioso velho forte e grande, Eydian começou a conhecer o caminho da magia e determinou a si próprio que aquilo seria a “honra da magia” e que a honra da espada ali não tinha vez.

Estudava ferozmente cada manuscrito e tomo colocado diante dele durante os anos e o velho achava isso muito proveitoso, pois já havia tentado ter um aprendiz, mas os que precederam o pequeno Eydian eram mais estúpidos que cavalos e nada serviam para a magia. E o rapaz tinha algo que chamava a atenção. Parecia entender a magia, parecia capaz de interpretar os livros de forma correta e guardar a informação.

E assim o jovem Eydian cresceu, não a ponto de se tornar um elfo do porte dos guerreiros de seu pai, mas ainda um elfo de estatura mediana, apesar de magro e fraco. Existiam dias em que quase agradecia ao pai por tê-lo enviado para viver com um mago, mas se lembrava da senhora Enora, e esse minúsculo sinal de gratidão se evaporava sem mesmo ter a chance de se firmar em sua mente.

Sempre que se lembrava do quanto sua experiência de criança o traumatizara, murmurava para si mesmo:

— Não desejo ser senhor de nada. Só anseio a magia.

O abandono na infância deixou profundas marcas, e o jovem se tornou bastante tímido e incapaz de se impor em situações de disputas e divergências. As duras palavras do pai ecoavam em sua memória: “meu filho não serve para comandar”. E, sempre que elas voltavam para assombrá-lo, buscava conforto no estudo da magia. Tudo o que interessava a ele era estudar, se aventurar um dia e buscar poder e conhecimento mágico. Apesar da vida de um elfo poder durar séculos, o jovem desejava jamais pisar em solo aedorathiano novamente enquanto seu pai vivesse, ainda que a saudade daquela mulher o fizesse sofrer dia após dia. A mulher a quem Eydian, no dia de seu rapto, chamou pela primeira vez de mãe.

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31
jul
08

Civilização

Uma nave se aproximava daquele planeta. Era uma nave com humanos. O planeta era habitável, com água, oxigênio, florestas, vales, desertos, mares. Enfim, era possível viver ali, como viviam em seu mundo de origem. A expedição espacial 919 foi recrutada, como centenas de outras mais, para descobrir sistemas onde o ser humano pudesse viver. E obteve sucesso. Mas um acidente colocou a tripulação da nave em uma situação sem solução.

Trinta membros da equipe foram designados para descer no novo planeta, coletar informações e material de pesquisa. Viveram por três semanas numa área litorânea, catalogando espécies animais, vegetais e amostras de minérios e substâncias. Cientistas trabalhavam em suas pesquisas e técnicos trabalhavam em operações de equipamentos e manutenção quando ouviram pelo comunicador uma mensagem de alerta vinda da nave. Segundos depois, um clarão no céu e a transmissão com a nave cortada.

O que teria acontecido à nave, pra explodir no espaço, ninguém saberá dizer, mas com aquele grupo de pessoas, um processo digno de nota começou a se estabelecer. Quando estudamos as civilizações e suas origens, temos a conclusão de que certos povos evoluíram e desenvolveram seus próprios costumes, crenças e tecnologia, sem interferências externas. Seria o processo básico da humanidade?

Nas pessoas em questão, o processo foi, de certo modo, retrógrado. Vindos de uma civilização avançada, dependente de tecnologias e detentora de conhecimentos científicos, os novos habitantes do planeta se viram obrigados a viver de forma primitiva, caçando e colhendo alimentos para sobreviver. Após anos naquele planeta, eles já não tinham o respaldo tecnológico de quando ali chegaram e precisaram se virar conforme a necessidade os obrigasse.

Também graças aos longos anos vivendo isolados, a necessidade fez a população se procriar. O sexo trouxe novidades ao mundo. Pequenas novidades. Como já faziam sexo ao natural há muito tempo, as conseqüências logo começaram a surgir. Com o processo de povoamento em andamento, em um período de cinqüenta anos, algumas gerações já podiam ser vistas lado a lado.

Com o rápido aumento da população e a morte dos primeiros habitantes, o conhecimento trazido por eles também começou a desaparecer. A civilização se espalhava, tomando conta, cada vez mais, daquele mundo novo que estava ali, à disposição deles. Com o passar dos anos, gerações e mais gerações foram substituindo as antigas e aquele conhecimento científico dos primórdios desapareceu, dando lugar a crenças e superstições locais em vários povoados dos novos habitantes, que se espalhavam pelo planeta e ocupavam terras para sobreviver.

Foram surgindo as primeiras lendas e os primeiros mitos, inclusive sobre a nave que trouxeram os primeiros humanos. As histórias que os antepassados transmitiam, via tradição oral, foram se banalizando e se convertendo em relatos míticos. Os primeiros humanos agora eram deuses ou heróis de tempos antigos que vieram de lugares distantes e inimagináveis. Tudo o que eles eram capazes de fazer era agora entendido como poderes mágicos.

O mito se instalou, as crenças populares foram tomando o lugar da razão e as lendas eram agora tidas como relatos verídicos de acontecimentos do passado. Da ciência o homem imaginou monstros e deuses, dando nomes a cada um e criando religiões baseadas nessas crenças. Os primeiros homens a tocar aquela terra virgem traziam a ciência e o conhecimento mais avançados que tinham, mas, após centenas de anos, tudo havia se perdido. Tudo havia dado espaço às lendas, histórias orais e, principalmente, aos mitos. O mito foi mais poderoso do que qualquer conhecimento, ele o encobriu. Tornou-se o conhecimento em si, de si próprio. O princípio. Aquilo que esse povo temia expor e que queria ocultar.

O mito tem a poderosa capacidade de viver dentro dos homens e, quando vê uma oportunidade, quer sair para se firmar entre as leis que governam o mundo. E, por longos séculos ele governou. E os homens viveram à sombra dos mitos.

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ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

UMA FICÇÃO

...seu tema é a relação entre a realidade do mundo que habitamos e conhecemos por meio da percepção e a realidade do mundo do pensamento que mora em nós e nos comanda. O problema da realidade daquilo que se vê — coisas extraordinárias que talvez sejam alucinações projetadas por nossa mente; coisas habituais que talvez ocultem sob a aparência mais banal uma segunda natureza inquietante, misteriosa, aterradora — é a essência da literatura fantástica, cujos melhores efeitos se encontram na oscilação de níveis de realidades inconciliáveis.

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- CONTOS FANTÁSTICOS DO SÉCULO XIX (Ítalo Calvino)

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